quarta-feira, 31 de outubro de 2018

31/10/2018 - Puerto Natales-CHL


Inicialmente tínhamos decidido fazer a trilha que dá a vista mais próxima das Torres del Paine. Seriam 19 km e quase 9 h de caminhada, sendo que os últimos 500 m seriam cumpridos em quase 1 h. Durante o café da manhã, consultamos a recepcionista do nosso hotel sobre como chegar ao início da trilha. Ela nos indicou dois caminhos, sendo um mais longo e com mais asfalto e um mais curto com mais rípio. Como só teríamos um dia para visitar o parque, ela nos sugeriu fazer o passeio de carro e não fazer a trilha, pois poderíamos ver mais coisas em menos tempo do que fazendo a trilha.


Depois de decidirmos seguir a sugestão da recepcionista, partimos para o parque em um carro apenas, já que não fazia sentido irmos em dois carros para o mesmo lugar ao mesmo tempo.

Infelizmente, após 30 km rodados eu me lembrei que havia esquecido a minha mochila na recepção do hotel, onde estavam o HD com todas as imagens da viagem, o meu computador e vários outros aparatos que fariam muita falta. Decidimos retornar ao hotel para resgatar a minha mochila. Felizmente, ela estava no mesmo local onde a havia deixado. Intacta.

De volta à estrada, retomamos a viagem ao Parque, que fica a 145 km de Puerto Natales. Foram belas imagens que ficaram na memória. Vale muito a pena visitar.















Foram quase mais de 300 km desde Puerto Natales até a entrada do Parque e depois regressando pelo mesmo caminho, com um desvio para passar pela Laguna Azul.

Nesse caminho vimos inúmeros grupos de guanacos cruzando a estrada e suas laterais. Parecia que estávamos em um safari!



Para aqueles que pretendem fazer a trilha dos 19 km até a base das torres, sugiro ficar hospedado no próprio parque ou sair muito cedo de Puerto Natales para não ter problemas no regresso da trilha.

A entrada custa CLP 21.000,00 por pessoa, para estrangeiros, o que equivale a (USD 32,00) e é válida por 3 dias. Ou seja, pode-se visitar o parque por três dias seguidos com o mesmo ticket.

Chegamos à administração do parque e vimos que se entrássemos não teríamos muito o que fazer, já que não faríamos as trilhas disponíveis e os caminhos a serem percorridos em automóvel não permitiriam a visualização das torres.



Resolvemos voltar dali mesmo e visitar outros pontos do parque que não seria necessário pagar. Fomos até a Lagoa Azul e no caminho fomos brindados com vários e vários grupos de guanacos, que cruzavam a pista, corriam junto com o carro e saltavam como se fosse para serem filmados e fotografados pelos turistas.

Depois de inúmeras fotos e muitos guanacos, resolvemos regressar a Puerto Natales. Pretendíamos almoçar onde havíamos almoçado no dia anterior, porém quando chegamos, por volta das 15:10 h, o restaurante já estava fechado para novos clientes. Aliás muitos estabelecimentos fecham por volta das 14 h e reabrem às 16 h. O mesmo acontece em El Calafate.

Acabamos encontrando um outro restaurante bem simples, mas que servia um Lomo a lo Pobre perfeito! Esse prato é típico do Chile e é um bife de filé, com dois ovos fritos e batatas fritas. Normalmente é bem servido! Para quem come pouco é suficiente para duas pessoas. O preço nesse local foi em de CLP 8.000,00 o prato e CLP 2.000,00 por dois refrigerantes de 250 ml. O que totalizou CLP 11.000,00, com a taxa de serviço, equivalente a USD 16,50.

Terminamos o dia preparando as coisas para a viagem de amanhã, onde finalmente chegaremos a Ushuaia.

Uma boa noite a todos.



terça-feira, 30 de outubro de 2018

30/10/2018 - El Calafate-ARG - Puerto Natales-CHL

Ontem nossa viagem completou 18 dias, ou seja, a metade dos dias previstos e, felizmente, tudo foi cumprido conforme o nosso planejamento nessa primeira fase da jornada.

Parece que faz muito tempo que estamos em viagem, pois olhando as fotos, temos a impressão de que tudo aconteceu já há tempo.

Nosso deslocamento hoje foi tranquilo e com pouco mais de 360 km entre El Calafate e Puerto Natales. Para variar um pouco, muitas lebres mortas pelo caminho.


Em um certo momento, tivemos um cachorro cruzando a pista. Aliás, não só cruzando, como parando no meio da pista. Felizmente, nada grave. Estávamos com uma velocidade que permitiu reduzir e quase parar para que ele saísse da pista.

Nossos GPS nos mandavam seguir pela RP 7, porém se os seguíssemos, teríamos passado em uma estrada de rípio. Como eu havia trilhado todo esse trajeto pelo street view, verifiquei que deveríamos manter a Ruta 40 e passar por La Esperanza, onde poderíamos abastecer com tranquilidade.

No caminho para o posto de La Esperanza encontramos com um grupo de indianos que estavam em 6 carros, realizando uma expedição à El Chaltén, El calafate e Torres del Paine, organizada por uma empresa, pois todos os carros eram iguais e tinham as mesmas características de logo da empresa.



A maior dificuldade que tive no planejamento foi a de identificar onde se saía da Ruta 40 para ir à aduana Rio Don Guillermo. Não havia placa da saída que eu conseguisse ver no street view. Felizmente, consegui ver a estrada de rípio que leva à aduana argentina e depois à aduana chilena, plotando as coordenadas no GPS e facilitando a nossa navegação. Atualmente, há uma placa de indicação para a aduana Rio Don Guillermo.




Aduana do lado argentino.



A passagem nas duas aduanas foi muito tranquila, apesar dos indianos, que quase nos atrasam, pois os funcionários da aduana chilena acharam que estávamos juntos e não abriram a cancela para podermos passar. Como eles estavam tendo que tirar toda a bagagem dos carros para passar no raio X, Kátia resolveu ir reclamar com o pessoal da aduana, que prontamente abriu o portão para a nossa passagem.

Seguimos para Puerto Natales, onde nos hospedamos no Hotel Kau Lodge, como no booking, ou Kau Patagonia, como está no letreiro.



Hotel simples, porém com uma vista direta para o mar e para as montanhas.






Aproveitamos a vista excelente para contemplar a paisagem e degustar um bom Malbec com jamón crudo e um excelente camembert. 

Hoje pudemos ver a diferença de consumo dos nossos carros, quando o vento da Patagônia dá o ar da graça. O consumo do meu carro, que estava em torno dos 17 km/l, no trecho de La Esperanza a Puerto Natales não chegou a 13 km/l por conta da intensidade do vento.

Amanhã pretendemos fazer mais uma trilha para ver as Torres del Paine. Espero que não seja tão difícil quanto a do Fitz Roy.

Uma boa noite a todos.




segunda-feira, 29 de outubro de 2018

29/10/2018 - El Calafate-ARG

Como havíamos previsto há quase um ano atrás, fomos visitar o glaciar Perito Moreno. Um dos glaciares mais famosos da região dos Campos de Hielo do Parque Nacional Los Glaciares.

Com pouco mais de 70 m de altura em sua face visível pelos turistas, pode chegar a quase 700 m de profundidade em seu ponto mais profundo. Possui 254 km2, pouco maior que a cidade de Buenos Aires. que tem 208 km2.



É uma visão maravilhosa da força da natureza e também da ação do homem frente às mudanças climáticas. A todo momento se ouvem os ruídos das geleiras se soltando e, por vezes, se vê os pedaços caindo na água.

O custo de entrada no parque é de $ 600,00 por pessoa (USD 17,00), para os turistas do Mercosul.

O acesso é feito pela RP 11, ficando a 80 km de El Calafate. A estrada é toda em asfalto e não há problemas de acesso para veículos pequenos ou grandes.

No local onde se vista a geleira, há uma cafeteria que abre às 10:00 h, não sendo necessário levar comidas para a visitação. 

O passeio é realizado sobre várias passarelas montadas dentro de bosques e que proporcionam ao turista vários ângulos de visualização do glaciar.

Para aqueles que preferirem, há também um passeio de barco, que pode ser contratado diretamente no pier das embarcações.

Mais uma vez, fomos brindados com um dia maravilhoso, onde a temperatura estava na casa dos 16ºC e o céu estava completamente sem nuvens, o que nos permitiu apreciar toda a grande beleza do lugar.

















     
Como a nossa viagem está sendo abençoada com a meteorologia, com as temperaturas e com os ventos, hoje podemos dizer que fomos ainda mais abençoados, pois conseguimos presenciar algo de extrema beleza e ao mesmo tempo de demonstração de força da natureza. Conseguimos ver o momento exato em que parte da geleira veio abaixo, provocando um grande deslocamento de água. Felizmente, conseguimos captar as imagens para que todos possam apreciar esse momento especial.

Confiram no vídeo a seguir:


Realmente é algo assustador!!

Depois de conferir essas belas paisagens e fenômenos naturais, regressamos a El Calafate, almoçamos no restaurante La Vaca Atada. Local agradável, simples, de atendimento rápido e eficiente. Comida boa e preço justo.

Amanhã seguimos viagem para Puerto Natales-CHL, onde mais uma vez teremos que enfrentar a rigorosa inspeção na aduana chilena.

Uma boa noite a todos.  



domingo, 28 de outubro de 2018

28/10/2018 - El Chaltén-ARG - El Calafate-ARG

Nossa rota hoje foi muito tranquila e curta, afinal foram apenas 214 km entre El Chaltén e El Calafate.


Acordamos mais tarde, tomamos café com tranquilidade e fomos para a estrada.

O dia estava nublado, mas sem chuvas e a temperatura amena na casa dos 15ºC.  

A estrada estava tranquila, como sempre. Pouco movimento, asfalto bom e boa sinalização. Como tínhamos sido alertados anteriormente, estávamos tomando muito cuidado com a possibilidade de cruzamento de animais na pista. Como em trechos anteriores, passamos por vários grupos de guanacos, emas e ovelhas. Em um trecho tivemos um guanaco bem no acostamento e quase cruzando a pista. Felizmente, nossa velocidade estava baixa e tivemos a oportunidade de reduzi-la ainda mais e dar tempo para que ele voltasse para o pasto na lateral da pista. 

Em pouco mais de 03:25 h já estávamos no posto YPF de El Calafate que, felizmente, tinha o combustível Infinia. Ufa!

Passamos em um caixa eletrônico para tirarmos dinheiro e fomos para o hotel Rincón del Calafate, onde nos hospedamos.






Por falar em tirar dinheiro, percebemos que há taxas e quantidades de dinheiro que se pode sacar. Quando tiramos dinheiro em Puerto Iguazu, no Banco de La Nación, só conseguimos tirar $ 4.000,00 (pesos argentinos) por saque, ou aproximadamente USD 110,00. O problema é que o banco cobrou uma taxa de $ 375,00 (USD 11,00), ou seja, 10% do saque e mais a taxa do Banco do Brasil de saque no exterior, que foi de USD 6,00.

Já em Córdoba, tiramos dinheiro no Banco Galícia, que permitiu um saque de $ 8.000,00, sendo que as taxas foram as mesmas do saque no Banco de La Nación. 

Dessa forma, sugiro que os viajantes que vierem para esses lados, tenham isso em conta, pois é muito dinheiro de taxa.

Depois do saque, fomos ao restaurante Casimiro Bigua Parrilla, onde almoçamos muito bem por sinal. O serviço muito bom, ambiente agradável e os pratos muito bem servidos. O preço é o normal para esses rincões, algo em torno de USD 30,00 para um risoto de cordeiro patagônico e um frango recheado com queijo e tomates secos, envolvido com lâminas de bacon sobre um omelete de berinjela. Por cima de tudo, batatas fritas palito.




Amanhã iremos visitar o glaciar Perito Moreno.

Uma boa noite a todos.

sábado, 27 de outubro de 2018

27/10/2018 - El Chaltén

Hoje foi o nosso segundo dia em El Chaltén e também o mais desafiador, pois decidimos fazer a trilha que leva ao Cerro Fitz Roy. 





Pegamos informações com o pessoal da nossa pousada e partimos para a aventura. 




Uma informação que foi importante, não só para hoje, como para ontem também, foi a de que não é necessário levar uma grande quantidade de água para as trilhas, visto que todos os riachos que cortam o parque possuem água de excelente qualidade e que pode ser consumida sem problemas. Além de tudo, já vem gelada da fonte!! 


Iniciamos nosso deslocamento por volta das 08:20 h e a 2 km da pousada, chegamos à entrada da trilha para o Fitz Roy. 


Logo de início, o percurso é sinuoso e com um desnível de quase 300 m nos primeiros 2 km de trilha. 


Na foto acima, dá para se ter uma ideia sobre o quanto já tínhamos subido em apenas 2 km de trilha. Nós partimos do nível do riacho lá no fundo.

Logo depois de completar a parte mais difícil da subida, tive uma desagradável surpresa. Minha câmera fotográfica acusava memória cheia. Nesse momento eu me lembrei que havia retirado o cartão de memória para baixar as fotos para o computador e havia me esquecido dele no notebook. Já estava prestes a voltar para a pousada, pois não poderia deixar de registrar esse dia, depois de um ano de planejamento. Felizmente, minha esposa havia levado o celular e acabou me convencendo de que não valeria a pena voltar para apanhar o cartão da máquina. 

Resolvi, então, usar o celular mesmo. Sei que não foi a mesma coisa, porém eu atrasaria a trilha em pelo menos 01:30 h para ir buscar o cartão. 


Seguimos a trilha, que passou a ter retas planas e bosques com algumas subidas e descidas de fácil superação. 


Passamos por várias pontes de madeira sobre cursos d’água. Ventava muito hoje e comentei com minha esposa para que tomasse cuidado para que seu boné não voasse e caísse na correnteza de algum riacho. 

Duas pontes mais tarde, o que eu temia aconteceu. O boné dela voou para dentro d’água. Saímos correndo para ver se conseguíamos alcançá-lo. Depois de procurar pelo boné na correnteza, vimos que ele havia ficado preso no meio do riacho. Felizmente, havia algumas pedras que me permitiram chegar até próximo e, com o bastão de caminhada, “pescasse” o boné. 


Prosseguimos na trilha e quando chegamos ao quilômetro 9 para a Laguna de Los Tres, as coisas ficaram bastante complicadas. Havia uma placa com várias advertências e que indicava restarem 1.000 m de distância, porém com 400 m de desnível. Como nada é de graça, a trilha ainda tem muitas pedras soltas, água escorrendo e, nosso caso, até neve para conseguir chegar ao topo e contemplar a inesquecível imagem dos Cerros e da Laguna (congelada). 





Vista realmente incrível. Linda. De tirar o fôlego. Um silêncio absoluto, só quebrado pelo vento que, nesse momento, deu uma trégua. Pessoas conversando muito baixo e contemplando a beleza do lugar. 







Passamos ali uns 30 minutos para curtir o momento, descansar da subida desgastante e tensa, assim como para fazer um pequeno lanche, uma vez que tínhamos levado 05:10 h e 12,5 km de caminhada para chegar até aquele ponto. 

Fim do descanso, viria a parte mais complicada. A descida! As pedras soltas, a água e a grande inclinação da trilha faziam com que qualquer descuido pudesse trazer consequências desagradáveis. Várias foram as pessoas que vimos escorregando e até se ferindo durante a descida. Felizmente, conseguimos chegar à base sem qualquer arranhão, porém ainda faltavam 9 km de trilha e mais 2 km até a pousada e as pernas já davam sinais de fadiga.


Depois de 24 km e 09:05 h de caminhada, conseguimos finalmente regressar à nossa pousada e ter o nosso merecido descanso.

Tomamos um banho, jantamos no Pangea e agora estamos tomando mais uma garrafa de Malbec Argentino para relaxar os músculos da caminhada.

Antes de partirmos para a nossa próxima parada, vale um comentário sobre a cidade de El Chaltén. É um povoado pequenino, com poucas casas, porém com muito charme e personalidade. Pode-se dizer que é um misto de Penedo-RJ e Campos do Jordão-SP. A cidade fica lotada de turistas de inúmeras nacionalidade, todos buscando os desafios de trilhas e escaladas. Muitos jovens por toda a parte. Restaurantes, bares, cervejarias artesanais, lanchonetes e tudo mais voltado ao turismo. Infelizmente, o único posto da cidade, como já dissemos aqui no blog, não vende diesel Infinia e, segundo o pessoal da nossa pousada, só vendem combustível em dinheiro. Não aceitam cartões de crédito ou débito. Quanto a outras facilidades, há várias lavanderias, caixas eletrônicos para saques, pequenos mercados e diversas lojas de souvenir.

Amanhã seguiremos para El Calafate. Um deslocamento de pouco mais de 200 km, felizmente.