Hoje foi o nosso segundo dia em El Chaltén e também o mais desafiador, pois decidimos fazer a trilha que leva ao Cerro Fitz Roy.
Pegamos informações com o pessoal da nossa pousada e partimos para a aventura.
Uma informação que foi importante, não só para hoje, como para ontem também, foi a de que não é necessário levar uma grande quantidade de água para as trilhas, visto que todos os riachos que cortam o parque possuem água de excelente qualidade e que pode ser consumida sem problemas. Além de tudo, já vem gelada da fonte!!
Iniciamos nosso deslocamento por volta das 08:20 h e a 2 km da pousada, chegamos à entrada da trilha para o Fitz Roy.
Logo de início, o percurso é sinuoso e com um desnível de quase 300 m nos primeiros 2 km de trilha.
Na foto acima, dá para se ter uma ideia sobre o quanto já tínhamos subido em apenas 2 km de trilha. Nós partimos do nível do riacho lá no fundo.
Logo depois de completar a parte mais difícil da subida, tive uma desagradável surpresa. Minha câmera fotográfica acusava memória cheia. Nesse momento eu me lembrei que havia retirado o cartão de memória para baixar as fotos para o computador e havia me esquecido dele no notebook. Já estava prestes a voltar para a pousada, pois não poderia deixar de registrar esse dia, depois de um ano de planejamento. Felizmente, minha esposa havia levado o celular e acabou me convencendo de que não valeria a pena voltar para apanhar o cartão da máquina.
Resolvi, então, usar o celular mesmo. Sei que não foi a mesma coisa, porém eu atrasaria a trilha em pelo menos 01:30 h para ir buscar o cartão.
Seguimos a trilha, que passou a ter retas planas e bosques com algumas subidas e descidas de fácil superação.
Passamos por várias pontes de madeira sobre cursos d’água. Ventava muito hoje e comentei com minha esposa para que tomasse cuidado para que seu boné não voasse e caísse na correnteza de algum riacho.
Duas pontes mais tarde, o que eu temia aconteceu. O boné dela voou para dentro d’água. Saímos correndo para ver se conseguíamos alcançá-lo. Depois de procurar pelo boné na correnteza, vimos que ele havia ficado preso no meio do riacho. Felizmente, havia algumas pedras que me permitiram chegar até próximo e, com o bastão de caminhada, “pescasse” o boné.
Prosseguimos na trilha e quando chegamos ao quilômetro 9 para a Laguna de Los Tres, as coisas ficaram bastante complicadas. Havia uma placa com várias advertências e que indicava restarem 1.000 m de distância, porém com 400 m de desnível. Como nada é de graça, a trilha ainda tem muitas pedras soltas, água escorrendo e, nosso caso, até neve para conseguir chegar ao topo e contemplar a inesquecível imagem dos Cerros e da Laguna (congelada).
Vista realmente incrível. Linda. De tirar o fôlego. Um silêncio absoluto, só quebrado pelo vento que, nesse momento, deu uma trégua. Pessoas conversando muito baixo e contemplando a beleza do lugar.
Passamos ali uns 30 minutos para curtir o momento, descansar da subida desgastante e tensa, assim como para fazer um pequeno lanche, uma vez que tínhamos levado 05:10 h e 12,5 km de caminhada para chegar até aquele ponto.
Fim do descanso, viria a parte mais complicada. A descida! As pedras soltas, a água e a grande inclinação da trilha faziam com que qualquer descuido pudesse trazer consequências desagradáveis. Várias foram as pessoas que vimos escorregando e até se ferindo durante a descida. Felizmente, conseguimos chegar à base sem qualquer arranhão, porém ainda faltavam 9 km de trilha e mais 2 km até a pousada e as pernas já davam sinais de fadiga.
Depois de 24 km e 09:05 h de caminhada, conseguimos finalmente regressar à nossa pousada e ter o nosso merecido descanso.
Tomamos um banho, jantamos no Pangea e agora estamos tomando mais uma garrafa de Malbec Argentino para relaxar os músculos da caminhada.
Tomamos um banho, jantamos no Pangea e agora estamos tomando mais uma garrafa de Malbec Argentino para relaxar os músculos da caminhada.
Antes de partirmos para a nossa próxima parada, vale um comentário sobre a cidade de El Chaltén. É um povoado pequenino, com poucas casas, porém com muito charme e personalidade. Pode-se dizer que é um misto de Penedo-RJ e Campos do Jordão-SP. A cidade fica lotada de turistas de inúmeras nacionalidade, todos buscando os desafios de trilhas e escaladas. Muitos jovens por toda a parte. Restaurantes, bares, cervejarias artesanais, lanchonetes e tudo mais voltado ao turismo. Infelizmente, o único posto da cidade, como já dissemos aqui no blog, não vende diesel Infinia e, segundo o pessoal da nossa pousada, só vendem combustível em dinheiro. Não aceitam cartões de crédito ou débito. Quanto a outras facilidades, há várias lavanderias, caixas eletrônicos para saques, pequenos mercados e diversas lojas de souvenir.
Amanhã seguiremos para El Calafate. Um deslocamento de pouco mais de 200 km, felizmente.
















Caramba...eu falei de ontem mas hoje 24 km em 9 hs é demais para nós! Meus parabéns pelo preparo, ainda mais porque foram 2 dias seguidos. Muito bom.
ResponderExcluirEsse lugar é lindo e as fotos de vocês estão traduzindo isso para quem as vê.
Realmente hoje foi o dia em que nós batemos todos os nossos recordes. Maior distância percorrida, maior tempo de trilha e maior desnível galgado. Tudo isso nos fez ter a sensação de dever cumprido, pois estávamos almejando essa trilha há muito tempo e conseguir realizá-la completamente foi um marco em nossas vidas. Obrigado pela palavras e pelo acompanhamento da nossa aventura. Um abraço.
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